AI Job Search: o projeto grátis que usa o Claude Code para se candidatar
O repositório open source lê seu perfil, dá nota às vagas e monta currículo e carta sob medida, com revisão de um segundo agente.

O AI Job Search é um framework de código aberto (licença MIT) que roda dentro do Claude Code e organiza a busca de emprego em comandos: perfil, busca de vagas, nota, candidatura, preparo de entrevista e acompanhamento. Ele é grátis, mas o Claude Code exige assinatura ou créditos da API, e você precisa revisar tudo antes de enviar.
O AI Job Search é um projeto de código aberto criado por Mads Lorentzen, um geofísico dinamarquês que perdeu a vaga no fim de 2025. Segundo o README, ele montou o sistema para tocar a própria busca de emprego e depois o publicou. O repositório oficial fica em github.com/ai-job-search-dev/ai-job-search e usa a licença MIT, que permite usar, copiar e modificar. O projeto é independente e não tem ligação com a Anthropic.
Na prática, ele é um conjunto de comandos e regras que transforma o Claude Code, a ferramenta de programação da Anthropic que roda no terminal, em um assistente de candidaturas. O repositório é grátis, mas o Claude Code não tem plano gratuito: é preciso uma assinatura Pro, Max ou Team, ou créditos pagos da API. Confira os valores na página oficial da Anthropic.
Para começar, você precisa do Claude Code, do Python 3.10 ou mais novo, do Bun (que roda as ferramentas de busca de vagas) e de uma distribuição LaTeX, como TeX Live, MacTeX ou TinyTeX, porque currículo e carta são gerados em LaTeX e compilados para PDF. O pypdf é opcional e serve para checar se o currículo é lido corretamente por sistemas de triagem. É um projeto para quem se sente à vontade com o terminal.
O passo a passo do README é este. Primeiro, faça uma cópia do repositório com gh repo fork ai-job-search-dev/ai-job-search --clone. Depois, rode python3 tools/install_portal_clis.py para instalar as ferramentas de busca. Em seguida, abra o claude dentro da pasta e use o comando /setup, que monta seu perfil a partir de uma pasta de documentos (currículo, exportação do LinkedIn, diplomas), de um currículo colado no chat ou de uma entrevista guiada.
Com o perfil pronto, o comando /scrape procura vagas em portais, remove duplicadas e mostra o resultado ordenado por aderência. O /rank dá nota a todas as vagas encontradas contra os critérios do seu perfil e devolve uma lista priorizada, com pontos fortes e lacunas. Depois, /apply seguido do link da vaga, ou do texto dela colado, avalia a aderência, escreve currículo e carta, chama um segundo agente para pesquisar a empresa e criticar os rascunhos, revisa e gera os PDFs.
Os comandos /interview, que monta um pacote de preparo e uma entrevista simulada, e /outcome, que registra o resultado de cada candidatura, completam o ciclo. O README diz que todas as afirmações do currículo e da carta são conferidas com o seu perfil e que o sistema não inventa habilidades nem experiência. Isso reduz o risco, mas não o elimina: a conferência final é sua.
Sobre os números do post: o autor conta, no próprio README, que fez 69 candidaturas sob medida, teve 20 primeiras entrevistas e assinou um contrato, começando como engenheiro de IA em junho de 2026. Isso é um relato dele, sem auditoria independente, e vale só para o caso dele. O projeto não promete emprego. Ele também diz que avisou os empregadores de que usava a ferramenta.
Um limite importante para quem está no Brasil: a lógica central funciona em qualquer país ou idioma, mas os portais de vagas incluídos são dinamarqueses, além de um de LinkedIn e outro de um agregador de vagas de tecnologia. Para Gupy ou outros sites, cole o texto da vaga no /apply ou use o /add-portal para criar uma busca para o seu mercado. Os modelos de currículo e carta vêm em LaTeX, e o README não detalha o uso em português, então teste com calma e ajuste ao seu caso.
Cuidado com privacidade. O /setup grava nome, contatos, histórico profissional e pretensão salarial em arquivos do projeto. Uma cópia (fork) feita no GitHub é sempre pública, e o próprio README recomenda usar um repositório privado se for para uso pessoal. Além disso, o conteúdo que o Claude processa vai para a Anthropic, então leia a política de privacidade antes de enviar documentos sensíveis e evite colocar números de documentos.
Cuidado com as regras dos sites. A ferramenta de busca do LinkedIn usa endpoints públicos, e o próprio projeto avisa que acesso automatizado vai contra os Termos de Uso do LinkedIn, por isso é só para uso pessoal e com poucas buscas. Nunca dê sua senha a nenhuma ferramenta. Leia sempre o que foi escrito antes de enviar, confira datas, cargos e números, e nunca invente ou exagere experiência: mentir em candidatura pode custar a vaga e o emprego depois.
Fontes
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