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Apple fatura US$ 114,5 bi e bate recorde, mas alerta para custo da memória

No primeiro balanço sob o CEO John Ternus, receita sobe 12%; empresa prevê margens menores no fim de ano por memória e Siri AI

Por Breno Valente· 3 min de leitura
Apple fatura US$ 114,5 bi e bate recorde, mas alerta para custo da memória
Imagem: Apple Newsroom

A Apple faturou US$ 114,5 bilhões no trimestre encerrado em setembro, alta de 12%, com lucro de US$ 30,7 bilhões. Foi o primeiro balanço de John Ternus como CEO, que chamou o preço da memória de “sem precedentes”.

A Apple divulgou nesta segunda-feira (2) os resultados do quarto trimestre do seu ano fiscal de 2026, encerrado em 26 de setembro. A receita foi de US$ 114,5 bilhões, alta de 12% sobre os US$ 102,5 bilhões do mesmo período de 2025 e recorde para um trimestre de setembro. O lucro líquido chegou a US$ 30,7 bilhões, ante US$ 27,5 bilhões, e o lucro por ação subiu 14%, para US$ 2,10.

Foi o primeiro balanço apresentado por John Ternus como CEO. Ele assumiu o cargo em 1º de setembro, no lugar de Tim Cook, que passou a presidente executivo do conselho. Ternus dividiu a teleconferência com investidores com o diretor financeiro, Kevan Parekh, e chamou o ano fiscal de o melhor da história da empresa.

O resultado superou a projeção da própria Apple, que esperava crescer entre 9% e 11%. O iPhone gerou US$ 57,6 bilhões (alta de 17%), o Mac US$ 10,8 bilhões (alta de 24%) e a área de Serviços, que inclui App Store, iCloud e Apple Music, bateu recorde histórico com US$ 31,6 bilhões (alta de 10%). Na contramão, o iPad caiu 10%, para US$ 6,2 bilhões, abaixo dos US$ 6,7 bilhões esperados por analistas segundo o TechCrunch, e a linha de vestíveis, casa e acessórios recuou cerca de 8%, para US$ 8,3 bilhões.

Entre as regiões, a Grande China foi o destaque, com alta de 21%. No ano fiscal completo, a Apple somou US$ 478,8 bilhões em receita, alta de 15%, e US$ 132,2 bilhões de lucro. A base de aparelhos ativos passou de 2,5 bilhões, e as assinaturas pagas, de 1,5 bilhão.

A margem bruta, que mostra quanto sobra da receita depois do custo de produção, ficou em 47,9%, com ajuda de cerca de 1 ponto percentual vindo de reembolsos de tarifas de importação. Sem esse efeito, ela teria caído, principalmente por causa da memória mais cara. Ternus classificou o preço atual desses chips como “sem precedentes” e disse esperar custos ainda maiores no trimestre de fim de ano.

Para o trimestre de dezembro, a Apple projeta receita de 7% a 10% maior que a de um ano antes, o que, segundo a empresa, deve ser o melhor trimestre de sua história. A margem bruta, porém, deve cair para 45% a 46%. Além da memória, pesa o custo de nuvem da Siri AI; parte da receita dos aparelhos com o recurso passará a ser contabilizada ao longo da vida útil do produto, e não no momento da venda.

Os números do balanço reforçam esse cenário. O estoque da empresa saltou 154% em um ano, para US$ 14,5 bilhões, e os compromissos de compra com fabricantes cresceram US$ 33 bilhões entre junho e setembro. Os gastos com pesquisa e desenvolvimento atingiram o recorde de US$ 45,77 bilhões no ano fiscal, alta de 32%, impulsionados por investimentos em IA.

A Apple já havia reajustado preços de Mac e iPad em junho e do iPhone em setembro. Questionada, a empresa não descartou novos aumentos, mas também não os confirmou. As ações caíram cerca de 1,8% no pregão regular. O próximo balanço vai incluir as vendas do iPhone Duo e do período de festas.

Fontes

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