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Free Claude Code: use o Claude Code com outros modelos, com cuidado

Um proxy open source liga o Claude Code a provedores gratuitos, locais ou pagos, mas o modelo deixa de ser o Claude.

Por Breno Valente· 4 min de leitura
Free Claude Code: use o Claude Code com outros modelos, com cuidado
Imagem: Alishahryar1 / GitHub

O Free Claude Code (FCC) é um projeto independente, sob licença AGPL-3.0, que faz o Claude Code falar com modelos de dezenas de provedores, inclusive com planos gratuitos e modelos locais. Ele não zera o limite do Claude: troca o modelo por outro, e isso traz riscos de privacidade, de chaves de API e de termos de uso que você precisa conhecer.

O Free Claude Code, ou FCC, é um projeto de código aberto que funciona como um intermediário (proxy) no seu computador. O Claude Code envia as requisições para o FCC, e o FCC as repassa a outro provedor de IA. O projeto diz que atende 12 ferramentas de código, entre elas Claude Code, Codex, OpenCode, Cline e Aider, e 61 provedores, entre gratuitos, pagos, por assinatura e locais.

Um ponto importante: o FCC não destrava o limite do Claude. Quem responde deixa de ser o Claude e passa a ser o modelo que você escolher, como os da NVIDIA NIM (o padrão do projeto), OpenRouter, Groq, Gemini, DeepSeek ou modelos locais via Ollama, LM Studio e llama.cpp. A qualidade, a velocidade e o tamanho do contexto dependem desse modelo e podem ser bem diferentes do que você está acostumado.

Sobre o custo: o próprio projeto afirma ter mais de 1,3 bilhão de tokens gratuitos por mês, mas não mostra a conta nem diz de quais provedores vêm. Trate o número como promessa do projeto, não como garantia. O README avisa que a disponibilidade e os limites gratuitos são definidos por cada provedor e podem mudar. Há também provedores pagos e planos por assinatura na lista, então o custo depende do que você configurar. Modelos locais não cobram por token, mas usam o seu computador.

Para usar, é preciso criar uma chave de API em pelo menos um provedor. O README usa a NVIDIA como exemplo: você gera a chave em build.nvidia.com/settings/api-keys. Depois instala o FCC (em macOS e Linux, com um comando curl que baixa e executa o script de instalação do repositório), abre o painel de administração, adiciona a chave em Providers, escolhe o modelo e clica em Apply. Para abrir o Claude Code já ligado ao FCC, use o comando fcc-claude. No Linux, o servidor é iniciado com fcc-server.

O recurso que o post destaca existe: na tela de configuração de modelos você monta uma lista ordenada de modelos de reserva (fallback), e o FCC também aceita várias chaves por provedor. O README faz um aviso que o post não faz: uma requisição que falha pode chegar a mais de um provedor e consumir cota de todos antes de dar certo. Ou seja, seu código e seu contexto podem passar por vários serviços diferentes.

Privacidade é o maior cuidado. O Claude Code costuma enviar trechos do seu código, arquivos e comandos para o modelo. Com o FCC, isso vai para os provedores que você configurar. Cada um tem política própria, e serviços gratuitos podem registrar ou usar os dados de forma diferente de um serviço pago. O README do FCC não traz seção de privacidade nem explica como as chaves são guardadas. Por isso, não use com código de cliente, segredos, dados pessoais ou projeto confidencial, e leia a política de cada provedor antes. Modelos locais mantêm tudo na sua máquina.

Sobre chaves de API: elas são como senhas e dão acesso à sua conta no provedor. Crie uma chave só para esse uso, nunca coloque em repositório público e revogue se desconfiar de vazamento. O FCC permite proteger o proxy local com um token de autenticação (Proxy Authentication), que é opcional; ative, para que outros programas ou pessoas na sua rede não usem o proxy. Também só instale a partir do repositório Alishahryar1/free-claude-code: existem cópias e projetos com nome parecido, e rodar um script baixado da internet exige confiança no autor.

Sobre os termos da Anthropic: o FCC é independente e diz não ter vínculo nem aprovação da Anthropic. A documentação do Claude Code afirma que a Anthropic não dá suporte a rotear o Claude Code para modelos que não sejam Claude por meio de gateways. Não encontrei nessas páginas uma proibição expressa para uso pessoal com chaves de outros provedores, mas é um uso sem suporte oficial, que pode quebrar a cada atualização do Claude Code. A Anthropic também diz que o login de assinatura (Free, Pro, Max) é só para uso comum do próprio Claude Code, e que não se deve repassar essas credenciais por terceiros. Por segurança, não misture sua conta Claude com o proxy, e confirme as regras vigentes antes de usar no trabalho.

Quanto à licença, o FCC usa a AGPL-3.0, uma licença de código aberto de verdade, mas com regras fortes: se você modificar o programa e oferecer a outras pessoas por rede, precisa abrir o código modificado. Para uso pessoal isso não pesa. Em resumo: serve para testar, estudar e continuar em tarefas simples quando o limite do Claude acaba, desde que você aceite a troca de modelo, entenda para onde seus dados vão e proteja suas chaves.

Fontes

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